Eu não sou maluca, você é que é!
A loucura me atrai, o que é bem estranho se você pensar que eu fugi de tudo que implicasse qualquer desequilíbrio mental a minha vida toda. “A loucura não cai bem em mim”, era o que eu pensava. Mas bastava eu conhecer um chapeleiro maluco que nos tornávamos amigos de infância. Tínhamos tanto em comum, mas eu não, eu não sou maluca. A maluquice me atrai por uma certa curiosidade quase que antropológica, de quem se sente profundamente pertencente mas de alguma forma destacada, sabe? Não? É difícil explicar. Mas a liberdade da loucura é algo que eu anseio. O dançar estranho, a nudez (do corpo ou da alma?), a absoluta desimportância dada a coisas fundamentais como o dinheiro por exemplo, ou a necessidade vital por coisas vistas como supérfluas como a arte, o ócio e a brincadeira. Se você pudesse ver minhas influências, veria um monte de malucos absolutamente sãos, talvez os únicos capazes de colocar as coisas em perspectiva. Os únicos acordados nesse mundo de zumbis. Aquel...