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Consentimento Livre e Esclarecido no Sexo

Existe um termo usado nas pesquisas científicas com seres humanos chamado Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE). Trata-se de um documento escrito em linguagem acessível, protegendo a autonomia do paciente e o sigilo. Nele há a descrição detalhada do que será feito durante o experimento e possíveis desconfortos e ainda, o participante pode desistir a qualquer momento sem penalidades. É engraçado pensar que usamos a mesma palavra para dizer que aceitamos engajar em uma atividade sexual: consentimento. Mas não parece o mesmo conceito, já que em algumas situações, o consentimento é presumido para muitos. Por exemplo, dentro de um casamento em que a mulher é encorajada a fazer sexo mesmo sem vontade para satisfazer o parceiro. Essa visão é tão naturalizada que é amplamente divulgada na igreja, na televisão e na internet. Quando penso na prostituição, onde o consentimento pode ser adquirido em troca de uma quantia em dinheiro, me pergunto como seria se a prostituta quisesse desis...

O que é ser gente?

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O que é ser gente, você me pergunta. Pode parecer trivial a resposta, mas não é. Meu reflexo é pensar no “Início de Tudo”. Nascer é coisa de gente. Definitivamente. Será? Um bebê chora demasiado agudo, chegando ao mundo repleto de fluidos, faminto, orquestrando uma sinfonia incômoda até que seja alimentado por uma… teta? Algo absolutamente imoral, diga-se de passagem. Não, nascer não é coisa de gente, não mesmo.  Então penso na infância, toda criança brinca. A brincadeira deve ser coisa de gente. Mas, pensando bem, crianças são tão barulhentas, sempre se movimentando e gritando, os brinquedos espalhados por todo o lado. Não, brincar também não é coisa de gente.  Já sei, pra fazer gente precisamos transar, então. Sexo só pode ser coisa de gente. Mas tem os fluidos, é um tanto quanto anti-higiênico, não acha? Além dos barulhos e das caras e do gozo. Não, sexo não é coisa de gente. Então parir é coisa de gente. Seria, se a gestante não ficasse o tempo todo agindo feito um animal,...

O dia em que eu descobri que sou puta

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Tinha catorze anos, era virgem e estava ficando com um dos meus primeiros "crushs". Estava indo tudo bem, eu gostava dele e parecia ser correspondida. Um dia, minha amiga me chamou para ir na casa dela que a mãe queria falar comigo. Eu estranhei mas fui. Quando cheguei, uma pequena intervenção: Minha amiga, sua mãe e meu "ficante" da época me aguardavam. Confusa perguntei o que estava havendo, e a mãe da minha amiga, se dirigindo ao meu ficante, disse:   - Admite, agora que você tá frente a frente com ela.  - Mas aconteceu - Se virou pra mim, olhando nos meus olhos e continuou - Você não lembra? Você foi lá em casa com uma camisa de botão e a gente transou.   - Que? Isso nunca aconteceu!!! Disse estarrecida.  A partir daí começou um ping pong de versões, minha amiga e a mãe acompanhando com a cabeça, sem saber em quem acreditar. Admito, o cara era bom, convincente. Mentia como um profissional. Se eu bebesse na época, talvez até poderia desconfiar que o que ...

Personalidade Anêmica

É engraçado que logo depois de escrever o título me deparei com o fato de que talvez ele passe a impressão oposta ao que quero dizer. Se eu digo personalidade anêmica, pode parecer uma personalidade sem viço, sem intencionalidade, mas deixe-me elaborar, é o exato oposto. Eu sou uma pessoa que flerta desde a infância com a anemia. Já tive crises da minha mãe inaugurar um open bar de bife de fígado na minha casa, sorte que eu adorava aquela carne gelatinosa e nojenta, o gosto era magnífico. Hoje eu não como carne, porém quando cuido da minha alimentação, não tenho crises, mas se eu descuidar, ela volta. Bom, ela voltou e deixou minha imunidade no chão. Me vi doente, com sintomas diversos que não encaixavam com nenhum diagnóstico preciso. Mediquei os sintomas e estou melhorando aos poucos. A febre cessou e o que sobrou foi um desânimo. Mas um cansaço e desânimo tão profundos que eu me sinto uma mistura tédio e preguiça o tempo todo. Meu corpo entrou no modo economia de energia. Minha ment...

Eu não sou maluca, você é que é!

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A loucura me atrai, o que é bem estranho se você pensar que eu fugi de tudo que implicasse qualquer desequilíbrio mental a minha vida toda. “A loucura não cai bem em mim”, era o que eu pensava. Mas bastava eu conhecer um chapeleiro maluco que nos tornávamos amigos de infância. Tínhamos tanto em comum, mas eu não, eu não sou maluca. A maluquice me atrai por uma certa curiosidade quase que antropológica, de quem se sente profundamente pertencente mas de alguma forma destacada, sabe? Não? É difícil explicar. Mas a liberdade da loucura é algo que eu anseio. O dançar estranho, a nudez (do corpo ou da alma?), a absoluta desimportância dada a coisas fundamentais como o dinheiro por exemplo, ou a necessidade vital por coisas vistas como supérfluas como a arte, o ócio e a brincadeira.    Se você pudesse ver minhas influências, veria um monte de malucos absolutamente sãos, talvez os únicos capazes de colocar as coisas em perspectiva. Os únicos acordados nesse mundo de zumbis. Aquel...

Me sinto ridícula

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  Me sinto ridícula.  Me sinto ridícula ao juntar palavras em frases, frases em parágrafos, parágrafos em textos e textos em livros. Me sinto ridícula quando tento juntar o final das palavras para compor a rima Me sinto ridícula nos 25, 50 e 75% do texto não finalizado. Me sinto ridícula quando desisto do texto incompleto que me olha desajustado, Como desenho inacabado com dois olhos e um nariz torto, mas mudo porque ainda não desenhei a boca.  Mas muito raramente Quando bate uma coragem Ou até mesmo certa estupidez, eu completo o desenho com uma boca estranha, imperfeita, mas suficiente. E essa boca se abre e fala. E as palavras voam e se teletransportam E são lidas e sentidas e tocam a vida de alguém. Quando isso acontece, eu deixo de ser ridícula e viro um gênio. E depois, com a confiança da experiência, Eu começo novamente do zero Tropeço na segunda frase e me sinto ridícula.   

Fobia

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Me preparo com antecedência, mas só de pensar no que vai acontecer,  faz suar minhas mãos e a nuca. Faço um check up no carro: óleo, freio, água, gasolina, tudo certo. Olho o mapa, tantas vezes que até decoro o caminho. Melhor ir cedo pra voltar logo e não ter perigo de encarar a noite.  Respiro fundo, endireito o corpo no banco, dou partida e dirijo relaxada até chegar na rodovia, mas a aparição do tapete grafite, faz meu coração disparar. Continuo, preciso seguir. Sigo, mas um caminhão lança um golpe de ar no parabrisa e me desestabiliza, o carro faz um vai e vem na estrada e eu paro no acostamento, tremendo. Sou teletransportada para uma noite estrelada, em que eu vou como passageira  tranquila com minhas preocupações de criança. Mas uma fumaça aparece à frente e meu pai pára o carro no acostamento. Conseguimos ver bem de perto um carro bater com violência em outros dois carros batidos e depois outro e mais outro. Meu pai invadiu a pista numa tentativa desesperada de c...