O dia em que eu descobri que sou puta
Tinha catorze anos, era virgem e estava ficando com um dos meus primeiros "crushs". Estava indo tudo bem, eu gostava dele e parecia ser correspondida. Um dia, minha amiga me chamou para ir na casa dela que a mãe queria falar comigo. Eu estranhei mas fui. Quando cheguei, uma pequena intervenção: Minha amiga, sua mãe e meu "ficante" da época me aguardavam. Confusa perguntei o que estava havendo, e a mãe da minha amiga, se dirigindo ao meu ficante, disse:
- Admite, agora que você tá frente a frente com ela.
- Mas aconteceu - Se virou pra mim, olhando nos meus olhos e continuou - Você não lembra? Você foi lá em casa com uma camisa de botão e a gente transou.
- Que? Isso nunca aconteceu!!! Disse estarrecida.
A partir daí começou um ping pong de versões, minha amiga e a mãe acompanhando com a cabeça, sem saber em quem acreditar. Admito, o cara era bom, convincente. Mentia como um profissional. Se eu bebesse na época, talvez até poderia desconfiar que o que falava era verdade, mas o ponto é que até aquele momento, ainda não havia colocado uma única gota de álcool na boca. Meu encantamento por ele começou a ruir e eu tentava lidar com a decepção ao mesmo tempo em que tentava provar minha inocência. Eu falava a verdade, mas não sabia como provar.
A mãe da minha amiga, então interrompeu a discussão com uma solução genial. "Vamos fazer um teste de virgindade, então. Eu vou levar ela no postinho e peço pro médico olhar e, se o hímen dela estiver no lugar, então você é o mentiroso."
Então num ato de puro desespero, ele admitiu a mentira. Não ficamos mais depois desse dia, porém ele andava de cabeça erguida e eu de cabeça baixa.
A fama de mentiroso dele durou muito pouco, mas a minha fama de puta permaneceu e me acompanhou por anos depois desse evento.

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